Bate Papo com Samuel Justiniano

Bate Papo com Samuel Justiniano

É um Bate Papo com Foco em TPM – Manutenção Produtiva Total, onde especialistas são convidados à expor suas opiniões, agregar conhecimento e contribuir com suas experiências através de perguntas e reflexões elaboradas por Túlio Martins.

Hoje convidamos Samuel Justiniano para um bate papo descontraído para falarmos sobre suas experiências com o TPM. Samuel é Especialista em Manufatura Industrial. Iniciou sua carreira profissional na área de Usinagem logo após finalização do curso de ajustador mecânico pelo Senai – MG, uma das últimas turmas dos cursos com equivalência (onde estudou em período integral, unindo a formação profissional e o ensino Médio).

Posteriormente ingressou na indústria automobilística atuando nas áreas de Manutenção, Eng. de Manutenção e Eng. de Processos na área de Montagem Final, atuou na consolidação do projeto Jeep Pernambuco na formação da equipe de Manutenção e Eng. Manutenção em seus três turnos produtivos, na Unidade de Montagem Final e testes de liberação veicular (fase que mais se orgulha profissionalmente, onde conheci efetivamente o trabalho do Colega Túlio Martins).

Atuou como docente dos Cursos Técnicos do SENAI-MG entre os anos de 2012 a 2015 que para ele foi uma fase ímpar para a contribuição na formação profissional de centenas de jovens que ve atuando hoje no mercado de trabalho, bem como uma fase de  aperfeiçoamento de Gestão, Liderança e revisão de conceitos metodológicos atrelados à vivência industrial. Atualmente atua como Especialista em Manufatura, contribuindo para o aperfeiçoamento da indústria Mineira.

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Samuel,Como foi seu processo de escolha pela profissão e área de atuação? TPM foi sua primeira opção?

Meu contato com minha área de atuação veio através de um irmão que atua na área e logo ao ingressar no curso profissionalizante em 1993, logo me encantei. O aprendizado e contato com o TPM ocorreu na prática e dentro da indústria inicialmente em 1997 onde naquele contexto estávamos em plena transição do modelo de Manufatura, nos moldando metodologicamente para uma Manufatura de Classe Mundial.

Da indústria de antes e os modelos atuais o que mais mudou que você pôde acompanhar com a sua experiência? E qual a visão de mudança que você tinha de como seria hoje e como está? Por exemplo tem conceitos atuais de indústria 4.0 hoje, que naquela época já se pensava nisso?

A mudança na indústria é de gritante percepção, principalmente no que tange aos custos de Manufatura (seja de Produção, seja de Manutenção); naquele contexto nosso empenho estava na eliminação dos retrabalhos, quebras de máquinas, baixa qualidade dos processos e desperdícios com tempo ocioso nas linhas de produção que atualmente obtivemos reconhecimento à nível Mundial dos conceitos aplicados e resultados obtidos.

Falando dos conceitos da Indústria 4.0 atualmente consolidados nos processos produtivos (como por exemplo um simples monitoramento real-time de temperatura via Web) naquele contexto já vislumbrávamos, todavia enxergávamos isto muito distante, em função dos recursos que tínhamos no piso de fábrica.

Por mais hoje que falamos de novos conceitos como TPM, Lean, metodologia ágeis, 5’S sabemos que estes conceitos sempre existiram desde o fordismo, taylorismo e são conceitos mais aperfeiçoados do que realmente novos. Sobre estes conceitos e práticas o que pode nos contar?

Realmente os conceitos não são algo recente, mas acredito e vivenciei isto na indústria e escola profissionalizante, que para qualquer metodologia dar os resultados desejados, deve haver o comprometimento vertical e horizontal, o engajamento dos Diretores e Gerentes é de fundamental importância para o sucesso na implantação de qualquer programa que somente com o trabalho de piso de fábrica somente será “mais uma onda”. Conheço e trabalho com Diretores altamente engajados com WCM que todos na organização se sente parte e contagiados em fazer parte e contribuir metodologicamente e com a certeza de que todos estão envolvidos.

As novas tecnologias e recursos atuais contribuíram para evolução da gestão do chão de fábrica? Tem algum exemplo prático que pode nos contar?

Seguramente ocorreram inúmeras contribuições significativas, podemos citar os PCs concentradores de dados, Supervisórios de Processos, instrumentação real-time IOT – WEB, AGVs que são os veículos teleguiados e a evolução dos componentes eletrônicos e pneumáticos (principalmente no que tange à interação homem-máquina e miniaturização).

Mas o que mais me encanto é com os servo-acionamentos a citar por exemplo a tecnologia MOVIFIT da SEW, que nos permite um controle de movimentação de motorizações, trabalho que anteriormente era necessário um gigantesco engombro de acionamentos chaveados, fins de curso e contatores elétricos, hoje permitido através de um componente compacto e totalmente controlável via Software em rede, permitindo uma flexibilidade imensa nos meios produtivos.

E os profissionais atuais tem mais /melhores oportunidades com os novos recursos? Ou têm mais concorrência?

Em minha visão os recursos atuais trouxeram mais harmonização e integração dos profissionais, digo isto pois no meu ingresso à indústria havia uma competitividade em quem se destacaria no time, onde os mais experientes não transmitia por completo os “macetes” de determinados problemas, ou seja, literalmente uma concorrência.

Atualmente percebo o compartilhamento de conhecimento e a evolução continua dos recursos existentes que somente é possível através da integração dos profissionais. Essa quebra de paradigmas, o envolvimento 360° da alta-direção e o norteamento através das metodologias vem transformando exponencialmente o melhoramento contínuo da nossa indústria, trazendo cada vez mais Segurança, otimização dos recursos e sustentabilidade organizacional em harmonia com a sociedade e o meio ambiente.

A partir deste novo cenário que estamos vivendo, quais serão as ferramentas da Manutenção que passarão a ser procuradas com mais ênfase?

Venho trilhando por 25 anos dentro da indústria, com experiência em outro estado e visitação em fábricas na Itália, e nunca foi tão perceptível a adoção efetiva do WCM na manufatura; falando de Manutenção o Pilar PM que tem como base o TPM é o que vem demonstrando resultados consolidados e creio ser o de maior importância para o sucesso organizacional.

Temos que pensar em Manutenção como parte do processo, pois num passado não muito distante, e quero acreditar que ainda em alguns seguimentos, a manutenção é vista como “gasto” o que está totalmente equivocado, pois o bom andamento da Manutenção se traduz em aumento do OEE (Eficiência Global) de determinado processo, trazendo consigo eliminação de interrupções indesejadas, aumento de qualidade e diminuição dos custos operacionais.

Por que o pensamento Manutenção Lean é importante para empresas neste novo cenário?

Cada vez mais as empresas precisam ser competitivas, e para tanto se faz necessário a utilização plena dos meios produtivos sem a necessidade de retrabalho e conseguir manufaturar um determinado produto com um custo otimizado de Produção para repasse desta vantagem ao cliente final, entregando a ele um produto de qualidade, em um tempo mínimo esperado e à preço justo.

Pensando neste contexto a função Manutenção, trabalhando no conceito Lean, tem um papel fundamental na contribuição da otimização dos processos, trabalhando efetivamente na disponibilidade dos meios de produção, melhorando a qualidade dos processos e consequentemente refletindo no produto final, traduzindo em aumento do OEE e por fim efetivamente trazendo valor agregado à organização.

Descreva um problema interessante e como você o solucionou.

Certa vez tive um problema com quebra crônica de um determinado rolamento, avaliando as especificações do projeto, sua aplicação estava adequada e as condições de trabalho estavam ideais, todavia havia uma pequena falha relacionada ao tipo de lubrificante adotado, pois o mesmo estava constantemente em contato com água.

Fazendo uma análise metodológica usando 5W1H, 5 Porquês e Benchmarking, conseguimos um lubrificante adequado à aplicação, aumentando a vida útil do componente e consequentemente obtendo aumento do MTBF (Tempo médio entre falhas) do equipamento, eliminando o custo com interrupções na produção e reduzindo consideravelmente o TTR (Tempo de reparo), traduzindo em aumento do OEE deste equipamento.

Samuel, com suas palavras, descreva o que é TPM, Manutenção de Classe Mundial e quais são os princípios.

TPM é a função Manutenção trabalhando com a adoção de método na solução de problemas e busca no aperfeiçoamento dos meios produtivos, seja em um equipamento de Grande porte sobre linha de produção, seja no reparo de um componente sobre uma bancada de ferramentas, adotando 5S como base, 5T para auxiliar, implantando sistematicamente Kaizen e mensurando continuamente os resultados, e principalmente “celebrando” a cada passo dado, divulgando à todos os envolvidos com o apoio dos gestores durante todo a caminhada.

Desta forma se constrói históricos aumentando o know-how do time, melhora o ambiente de trabalho e o engajamento das pessoas e consequentemente e naturalmente se tem o resultado esperado que é a melhoria dos resultados Globais. Portanto se faz necessário a persistência e um breve investimento inicial para que o programa tenha sucesso.

Samuel, gostaria que deixasse uma mensagem para os profissionais do mundo da Manutenção de Classe Mundial

Faça com paixão e acreditando no resultado ótimo, que colherás bons frutos! Seguramente…Se você não acredita, preferível “não fazer”, pois enganará a si próprio, e não haverá bons resultados.

Samuel Justiniano

12 comentários em “Bate Papo com Samuel Justiniano”

  1. Excelente conteúdo sobre TPM aplicado na manufatura industrial!
    Vale a pena compartilhar e o farei, pois bons conteúdos como esse devem e merecem ser amplamente divulgados!

  2. Samuel é um profissional excepcional, diria fora da curva. Não esperava menos dessa entrevista repleta de conhecimento. Parabéns Túlio Martins e Samuel Justiniano.

  3. Trabalho com Samuel desde 2010, sem dúvida um excelente profissional, sempre focado em buscar os melhores resultados da organização, além de compartilhar seus conhecimentos de forma clara, objetiva e sempre disposto ajudar.
    Parabéns Túlio e Samuel!

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