Bate papo com Cândido Bizzotto

Bate Papo com Cândido Bizzotto

É um Bate Papo com Foco em Lean Manufacturing, onde especialistas são convidados à expor suas opiniões, agregar conhecimento e contribuir com suas experiências através de perguntas e reflexões elaboradas por Túlio Martins.

Hoje convidamos Cândido Bizzotto para um bate papo descontraído para falarmos sobre suas experiências com o Lean. Cândido é Engenheiro Mecânico – Consultor, Gerente de projetos, gerente industrial e consultor de empresas.

Cândido,Como foi seu processo de escolha pela profissão e área de atuação? Lean foi sua primeira opção?

Não. Lean foi consequência: Minha carreira foi na indústria, na área de processos, em busca de eficiência, redução de custos, melhoria de qualidade e gestão de projetos. Quando Lean apareceu, minha empresa estrava em um processo bem maduro de busca de excelência, e os conceitos são iguais, porém com roupagens diferentes.

Cândido, da indústria de antes e os modelos atuais o que mais mudou que você pôde acompanhar com a sua experiência? E qual a visão de mudança que você tinha de como seria hoje e como está? Por exemplo tem conceitos atuais de indústria 4.0 hoje, que naquela época já se pensava nisso?

Não vejo desta forma. Não há conflitos ANTES X DEPOIS. Na minha opinião, existe a abordagem PROFISSIONAL x INTUITIVA, e por default as pessoas agem de forma intuitiva até que tenham contato com um novo mindset, que de novo não tem nada (Lean é do pós-guerra). Quanto à automação, evidentemente veio para ficar e deve-se ampliar seu uso.

Importante é que independente da tecnologia usada, os players devem manter o costume de PENSAR e saber o que estão fazendo. Os conceitos se perdem facilmente quando se automatiza algum processo. Outro ponto importante é de termos em mente que a automação deve ocorrer em processos enxutos. Automatizar desperdícios é fácil de ocorrer. Assim como processos podem ficar difíceis de melhorar após serem automatizados.

Por mais hoje que falamos de novos conceitos como Lean, metodologia ágeis, 5’S sabemos que estes conceitos sempre existiram desde o fordismo, taylorismo e são conceitos mais aperfeiçoados do que realmente novos. Sobre estes conceitos e práticas o que pode nos contar?

Exatamente, como comentei acima. E tais conceitos vão mais ao passado: A China usou produção seriada de armas padronizada no século IV AC. As linhas de montagem de barcos foi estavam no auge no Arsenal de Veneza no século XVI.

O que ocorre é a disseminação e aperfeiçoamento das tecnologias de gestão. Num mundo artesanal, existiam pontos de excelência. O mesmo ocorre no Brasil de hoje: 90% das empresas são de pequeno porte – intuitivas, pouco melhores que artesanais, e temos ilhas de excelência profissional.

As novas tecnologias e recursos atuais contribuíram para evolução da gestão do chão de fábrica? Tem algum exemplo prático que pode nos contar?

Imagino que você esteja se referindo aos Smartphone e redes sociais – sim, claro! A comunicação e facilidade de transmitir fotos e discutir com grupos facilita sobre maneira o trabalho de gestão e compartilhamento de informações. Porém nossa legislação trabalhista coloca riscos neste processo. A legislação deve ser modificada para que as tecnologias possam ser mais usadas sem expor as empresas.

E os profissionais atuais tem mais /melhores oportunidades com os novos recursos? Ou têm mais concorrência?

É difícil responder. Nosso mercado de trabalho não está em crescimento desde 2015, portanto a concorrência é enorme, mas em função do desemprego.

Por outro lado, há facilidade em se tomar conhecimento das oportunidades.

No lado da seleção, vejo um nivelamento por baixo. Com uma avalanche de candidatos e baixo nível dos selecionadores, as análises de perfil tendem a ser menos profundas. Acho muito comum avaliar-se um perfil pela “sopa de letrinhas” nos CV’s certificações vazias e incapacidade de se avaliar experiência real dos candidatos.

A partir deste novo cenário que estamos vivendo, quais serão as ferramentas da Qualidade que passarão a ser procuradas com mais ênfase?

A procura aumenta em todas, indistintamente.

Deveria haver ênfase maior para “análise e solução de problemas” e “metodologias de trabalho em grupo”. Mesmo para funções mais técnicas, eu valorizo as habilidades de liderança, junto com o pensamento lógico como decisivas. Qualquer ferramenta pode ser aprendida se o profissional se dispuser a pensar e trabalhar em equipe.

Por que o pensamento Lean é importante para empresas neste novo cenário?

Porque a competitividade é importante. LEAN thinking facilita uma melhor competitividade e busca de resultados.

Descreva um problema interessante e como você o solucionou.

Minha equipe tinha 4 mecânicos e 4 eletricistas em turno de revezamento, mais 2 mecânicos diurnos, porque “os problemas poderiam surgir a qualquer momento”.

Como racionalização – identificamos os problemas mais comuns de mecânica e capacitamos os eletricistas para identificação e solução destes problemas em “1os socorros”. Para problemas complexos, havia uma tomada de decisão pela liderança entre esperar-se o dia seguinte ou chamar o profissional em casa.

Os mecânicos foram deslocados para período diurno, ganhamos um poder de fogo excepcional para atuação em melhorias e solução de problemas maiores durante o dia. Considero este um case de sucesso em gestão de equipes de manutenção.

Com suas palavras, descreva o que é Lean Manufacturing e quais são os princípios Lean.

Lean Manufacturing é um conjunto de conceitos que norteia a ação dos líderes para melhoria de seus processos. Ao enumerar os 8 desperdícios, sistematiza o pensamento e a atuação dos gestores. Facilita a ação com diversas ferramentas para alguns problemas comuns.

Gostaria que deixasse uma mensagem para os profissionais do mundo da excelência operacional…

Todo profissional envolvido com excelência operacional deve manter sua capacidade de pensar para evitar frustrações. A ênfase técnica restrita frequentemente leva os profissionais a situações paradoxais, que ficam melhor compreendidas ao se levar em conta as interfaces financeiras e comerciais.

Cândido Bizzotto

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